quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A Patada: Peanuts, a infância em sua plenitude

A personificação de como uma obra alcança o sucesso por atuar com o esplendor de toda magia dos quadrinhos é o que caracteriza os personagens de Charles M. Schulz. Uma história sexagenária que ainda toca a todos admiradores de quadrinhos, seja ele velho ou novo, com toda sua sutileza de situações, e o humor inocente que irradia o dia de qualquer um. Peanuts é isso, sabe aqueles momentos do dia-a-dia de nossas infâncias e que não lembramos mais? Pois bem, muitos ao lerem as tirinhas de Peanuts se lembrarão de algo parecido que aconteceu consigo mesmo, e isso vai além, os personagens de Peanuts conseguem alcançar a essência do caráter infantil até mesmo quando os próprios querem se mostrar maduros ou mais velhos do que parecem pela sua idade.
Ora, alguns de vocês devem estar se perguntando... puxa, o que são esses Peanuts?? Concerteza você já deve ter visto alguns deles por ai, na TV, nos materiais escolares, nos jornais, nos livros, nos brinquedos, na mídia, e também nos quadrinhos.. bom, pra quem não lembra dos peanuts, Charlie Brown e Snoopy são os mais conhecidos dentre eles. Olha a turminha aqui ao lado.
Eu gostaria muito de contar detalhadamente a vocês como foi a fascinante história de nascimento dos Peanuts. Nome aliás que Schulz não gostou muito, significa amendoins em português, mas que foi entitulado pelo jornal de Nova Iorque em 2 de outubro de 1950. É uma história que começa em St. Paul, cidade natal de Schulz, e que passa por várias situações, desde eventos relacionados à II Guerra Mundial, até a rejeição das tirinhas de Schulz pelo jornal de sua própria cidade. Engana-se quem pensa que isso pode ter sido ruim, talvez se não tivesse acontecido isso jamais teríamos conhecido uma obra tão brilhante.
No início de Peanuts, Schulz explorava muito a inocência dos personagens, todas as situações eram recorrentes da infância, como as discussões entre meninos e meninas, namoricos, amizades, brincadeiras como as do bolinho de lama e com o cachorrinho Snoopy, que ainda não tinha uma personalidade tão complexa como a que conhecemos hoje. Encima desse caso do Snoopy é que podemos perceber como Schulz desenvolveu a personalidade de seus personagens, o Charlie Brown por exemplo, sempre foi um garotinho camarada, mas muitas vezes ele se via expressando sentimentos de solidão, de desventura e de falta de auto-confiança, pode se dizer que Schulz demonstrou muitas vezes em Charlie Brown, características que sempre calcaram sua infância.


A figura acima é a primeira tira de Peanuts que foi lançada em 02 de outubro de 1950, veja como o estilo do desenho era um pouco diferente. Shermy, ao lado de Patty, diz:
-Bem! Aí vem o bom e velho Charlie Brown!
-O bom e velho Charlie Brown... sim, senhor!
-Bom e velho Charlie Brown...
-Como eu odeio ele!

No começo de Peanuts as histórias estavam em torno dos personagens, Charlie Brown, Snoopy, Patty Pimentinha e o Shermy. Logo depois surgiram a Violeta, o Schroeder, a Lucy e o Linnus. Schulz tinha uma habilidade incrível de abordar temas de aspectos sociais em suas tirinhas com uma sutileza inigualável. Temas como a igualdade racial e de gênero eram amplamente exploradas por Schulz, numa época em que eram tidas como tabus. Como por exemplo, a presença de Franklin, um personagem negro, numa escola de integração racial. O fato do time de beisebol de Charlie Brown ter possuido três garotas muito melhores que o próprio Charlie (que era uma negação). Schulz também usava suas tiras para satirizar acontecimentos importantes que estavam marcando aquela época, como por exemplo a Guerra do Vietnã. Também fez referências de como os números estão tomando as identidades das pessoas, quando apresentou o personagem chamado 5, com os irmãos 3 e 4, onde seu pai mudou o nome da família para CEP.
Outro ponto interessante de Peanuts é o desenvolvimento dos personagens, o Snoopy era um cachorrinho normal no começo, porém no desenrolar dos anos, o personagem foi sendo enriquecido com a capacidade de entender as crianças, de verbalizar seus pensamentos, de ter a capacidade de andar em duas patas, cair no mundo da imaginação, filosofar, ler livros, praticar esportes e até usar uma máquina de datilografia. Outros personagens principais como Lucy, Schroeder e Linnus foram introduzidos nas tirinhas ainda como bebês, e conforme o tempo, foram adiquirindo suas personalidades. Lucy, a garota de temperamento forte, mandona, por vezes cruel com suas afirmações exageradas, insegura com a sua beleza e apaixonada por Schroeder. Schroeder, por sua vez, o garoto talentoso na arte da música, tem como Beethoven o seu maior ídolo, fato que por isso ele sempre rejeita o amor de Lucy, pois Beethoven era um homem solitário. Linnus é um garoto com inteligencia notável, em suas tiras era comum em suas falas ter refências filosóficas ou teológicas, muitas vezes citando o evangelho. Esse teor de sabedoria se mistura muitas vezes com sua imaginação, tanto que uma de suas mais famosas teorias é a da Grande Abóbora (uma espécie de Papai Noel do Halloween), que na noite do Dia das Bruxas escolhe uma horta de abóboras para aparecer e entregar presentes para todas as crianças boas. O seu cobertor da segurança também é um quesito a parte, Linnus se prende emocionalmente à proteção que o cobertor paradoxalmente lhe proporciona, levando até a manifestar sintomas como tontura e fraqueza, quando as outras crianças o tomam.
Peanuts é um clássico dos quadrinhos, teve grande força na TV, mas a marcante característica dessa obra é contada, criada e recriada todas as vezes que lemos e relemos as suas milhares de tirinhas nos jornais e nos quadrinhos. São crianças engraçadinhas, vivem situações peculiares, e muitas vezes pensam as vezes como doutores da sabedoria. Isso não quer dizer que a vida como ela é na infância parece deturpada nesses quadrinhos, muito pelo contrário, nós que deturpamos a imagem do ser infantil, tratamos apenas como um ser inocente sem o poder do saber, mas esquecemos dos tempos de que brincar não era apenas uma ação motora, e sim um movimento sincrônico de fantasia, de imaginação, de um saber que não está ligado com a exatidão do sistema, mas daquele que se soma àquela inocência perfeita de se viver num mundo feliz.

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9 Pitacos:

Avatar - The Last Airbender disse...

E tio patinhas nao vai sair mais?
Se for preciso eu ate ajudo!

Kural Kingdom disse...

Ae manolo! tio patinhas pode demorar um pouco! mc ta sumido! mas obrigado pela ajuda! XD
entra na SQ e preencha o formulario de recrutamento! estamos a tua espera!

Avatar - The Last Airbender disse...

ok, estou pronto para ajudar
So nao sei se posso, pois sou de portugal, entao eu escrevo em pt-pt

Kural Kingdom disse...

sem crise!
tem português na equipa e qualquer coisa terá sempre alguém para ajudar vc!

McMiller disse...

Puxa, eu gostaria que vocês comentassem sobre a obra desse texto. Tio Patinhas será lançado assim que eu puder diagramar. Aguardem. Se quiserem ajudar acessem o site da SQ e preencham o formulário.

Kural Kingdom disse...

MC, calvin e haroldo fez 25 anos um dia destes (ja esqueci) e vc nem fez nenhuma materia sobre eles. a SQ não tem nada dos 2?

McMiller disse...

Kural, ainda não fizemos nenhum projeto na equipe com hqs do Calvin e do Haroldo, porém tem uns tópicos de hqs deles lá que foram lançados no FARRA. Interesse temos de um projeto como esse futuramente =D
Quanto a matéria, fica aqui meu compromisso de fazer uma para eles, infelizmente não soube desses 25 anos, seria uma boa data.

Bruno Figueiredo disse...

Descobri esse blog agora vou divulgar e preencher o formulário no SQ.

Kural Kingdom disse...

é isso ae.
^^ mas ninguem vai comentar sobre este testo né?
eu nunca fui muito fã dos peanuts.
deles eu so me lembro do snoopy.:P
ele é dos peanuts certo?

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